O Nome das Entidades: Símbolo, Arquétipo ou Essência?
A Questão do Nome e do Arquétipo das Entidades
Hoje, vamos mergulhar em uma questão que gera muitas dúvidas e discussões: a questão dos nomes das entidades. Muitos buscam um nome para a entidade, pois isso pode facilitar a conexão, mas afinal, o que esse nome realmente significa e como ele é definido?
Antes de mais nada, é preciso tentar entender o que é o ser com o qual estamos nos conectando. Em religiões como a Umbanda, trabalhamos com arquétipos. As entidades que se apresentam dentro desse sistema de fé carregam um arquétipo, como Preto Velho, Caboclo, Exu, Pombagira, entre outros.
O que esses arquétipos significam? Eles já trazem, por si só, uma representação e um simbolismo. No entanto, é importante entender que esse arquétipo não necessariamente define quem o espírito foi em vida, ou o que ele é em sua totalidade. Pelo contrário, o arquétipo pode ser limitante e diminuir a complexidade desse ser.
Vamos usar um exemplo para ilustrar: a história de Maria. Maria nasce em uma comunidade de Ciganos Calons, sendo, portanto, uma Cigana de nascença. Ela também nasce no estado da Bahia, o que a torna uma Baiana. Maria é negra e, ao crescer, decide trabalhar na Marinha, tornando-se uma Marinheira. Ela luta bravamente pelos seus direitos, com uma atitude empoderada, o que a torna uma pura representação da mulher forte. Na velhice, ela se torna uma benzedeira, usando os ensinamentos de seus ancestrais.
Então, o que Maria é? Ela é uma Cigana? Uma Baiana? Uma Marinheira? Uma Pombagira ou uma Preta Velha?
A questão é: Maria não foi e nem é apenas uma coisa. Ela foi um ser complexo, com múltiplos atributos e experiências. Dizer que Maria é unicamente uma Pombagira, uma Preta Velha ou uma Cigana é limitar a sua grandeza.
O Nome "Fantasia" e a Vibração Simbólica
O arquétipo que temos na Umbanda, nesse exemplo, é apenas alegórico e, de certa forma, limitante. E o que podemos dizer sobre o nome que a entidade nos passa?
Vamos supor que um espírito se chame Anastácia. Após o desencarne, Anastácia decide trabalhar na linha de "Pombagira". Ela acompanha seu médium e, em uma incorporação, o pai de santo pergunta seu nome. O espírito responde "Anastácia", mas o pai de santo, descrente, acredita que ela é um obsessor ou uma impostora.
Em outra gira, o mesmo espírito, sabendo da resistência do pai de santo, responde "Maria Padilha" ao ser questionado sobre o nome. Satisfeito, o pai de santo aceita a entidade sem questionar.
Isso nos leva a uma reflexão: o nome que a entidade nos passa pode ser apenas um "nome fantasia", uma forma de se apresentar que não define a totalidade de quem aquele espírito é. Mas isso é desnecessário?
Na verdade, não. O nome pode carregar uma vibração simbólica, uma representação que condensa uma série de significados em uma única palavra. O símbolo existe justamente porque não é possível expressar toda uma representação em uma única frase.
Pense no Sol. Ele é um símbolo de calor, força, poder, positividade e do princípio masculino, entre outros. No entanto, o Sol é apenas uma estrela, composta por gases e radiação. O símbolo, por si só, carrega uma imensidão de significados.
O mesmo acontece com as entidades. Quando uma entidade corresponde ao simbolismo do cemitério, ela não representa apenas a morte, mas a passagem, a mudança, a renovação e a reconstrução — onde o antigo morre para que o novo possa nascer. Quando a entidade assume esse símbolo, ela está nos dizendo: "Sou especialista em lidar com renovação, com a mudança, com a morte do ego, com a cura do espírito."
Como Descobrir o Nome da Entidade?
Dito isso, sabemos que o nome tem sua importância, mas se ele é uma alegoria, como podemos, então, saber o nome correto? Muitos buscam sacerdotes ou especialistas em cartas para encontrar essa resposta.
No entanto, assim como no exemplo de Maria, não é possível que um terceiro veja o todo do espírito. A informação vem através do nosso mental e da quantidade de conhecimento que temos nele. Se um médium tem conhecimento limitado, é provável que ele tenha um repertório restrito para revelar um nome.
Se um médium conhece apenas três Pombagiras — Maria Padilha, Quitéria e Mulambo — ele poderá sugerir apenas um desses três nomes, pois é o repertório que ele possui. Essa limitação pode enviesar a resposta e captar apenas uma característica da entidade, e não o seu todo.
A melhor forma de entender aquela entidade é pelo seu próprio adepto. E aqui vai uma receita simples para isso:
Prepare o ambiente e a si mesmo: Realize uma limpeza em sua casa, tanto física quanto energética. Tome um banho de ervas para se limpar fisicamente e espiritualmente.
Conecte-se com o símbolo: Medite em frente ao símbolo daquela entidade, seja ele uma vela, um ponto cantado ou riscado. Peça para que ela possa se revelar a você. Isso é uma forma de afinar a conexão e trazer o nome.
Amplie o seu repertório: Se a resposta não vier de imediato, talvez você precise de mais repertório. Pesquise diversos nomes de entidades daquela linha e familiarize-se com eles.
Refaça o processo: Refaça o processo de meditação. Você verá que um dos diversos nomes irá ressaltar. Você sentirá a vibração e, dentro de si, sentirá que aquele nome corresponde ao que a entidade se identifica.
Lembre-se, no entanto, que o nome não é o mais importante. O ideal é entender os seus motivos para estar naquele local sagrado e não apenas saber qual entidade lhe acompanha. Eles não são "pets", mas sim, amigos espirituais que estão dispostos a lhe auxiliar a ter uma vida melhor. Eles não são serventes ou escravos, mas amigos. Se você os vê como serventes, acabará atraindo seres que o veem da mesma forma.

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